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Boa madrugada - Itabira, segunda, 23 de setembro de 2019  

POLÍCIA
A cada três dias, uma mulher é vítima de feminicídio em Minas
Crime fez ao menos 41 vítimas no Estado nos quatro primeiros meses de 2019 07/05/2019

 

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Ataque. Élida, 58, morreu após ter sido foi queimada e baleada por ex, em abril; crime foi na casa dela
Foto: Facebook/Reprodução

Última etapa em relacionamentos abusivos e violentos, o feminicídio fez ao menos 41 vítimas em Minas Gerais nos quatro primeiros meses de 2019. Entre janeiro e abril, em média, uma mulher foi morta a cada três dias, segundo a Polícia Civil de Minas Gerais. Se as tentativas de feminicídio forem consideradas, o total de vítimas chega a 105 – praticamente uma ocorrência por dia no Estado. Os números podem ser maiores, já que há ocorrências de abril ainda não contabilizadas.

O número de vítimas de feminicídio em Minas ficou praticamente estável em comparação ao mesmo período de 2018, quando 42 mulheres foram mortas, mas houve aumento de 57% nos casos na região metropolitana, com salto de sete registros nos quatro primeiros meses de 2018 para 11 no primeiro quadrimestre de 2019.

Em muitos casos, o agressor não se atém ao uso de armas de fogo para tirar a vida das companheiras ou ex. Facas, facões, foices e até as próprias mãos se tornam instrumentos para executar mulheres como Ana Caroline Anselmo da Silva, 33, umas das vítimas mais recentes do feminicídio. A moradora de Varginha, no Sul de Minas, foi assassinada a facadas na frente dos filhos, de 1 ano e meio e de 5 anos, em 15 de abril. O suspeito é o ex-namorado de Ana, que fugiu em seguida, segundo a PM.

Para Tetê Avelar, integrante da Rede Estadual de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, o quadro em Minas pode ser mais grave, já que deve haver subnotificação de casos de tentativa de feminicídio. “A gente tem uma lei robusta, movimentos da sociedade civil trabalhando, mas paralelo a isso tem um desmonte das políticas públicas para as mulheres, o que dificulta a denúncia”, afirma.

Coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, a promotora de Justiça Patrícia Habkouk acredita que o caminho para frear o feminicídio é a prevenção. “Temos de fazer um amplo trabalho, propor uma reflexão à sociedade e atuar muito nos eixos de prevenção e educação”, defende.

Caso sobre família queimada em BH é apurado

A Polícia Civil informou nesta segunda-feira (6) que ainda apura o assassinato da dona de casa Élida Maria Seabra, 58, que morreu depois de ter o corpo incendiado e ter sido baleada pelo ex-companheiro na casa dela, no bairro Universitário, na região da Pampulha, na capital, no último dia 22 de abril. Dois filhos de Élida também morreram devido ao ataque do homem, um engenheiro, que se matou.

Os investigadores continuam a levantar informações para compor o inquérito policial. Segundo a corporação, atualmente é feito o recolhimento de laudos periciais. Ainda não há previsão para conclusão das investigações.

O trio foi socorridas em estado muito grave. Paulo Henrique Seabra, 23, morreu no dia seguinte ao crime; e João Pedro Seabra, 26, e a mãe, quatro dias após o ataque.

 

Minientrevista

Patrícia Habkouk

Promotora de justiça

Mesmo com uma lei que endurece a pena para quem comete feminicídio, porque não há recuo do número de casos?

A nossa sociedade ainda é machista, estabelece papéis definitivos para homens e mulheres. Infelizmente, esse tipo de visão contribui para esse tipo de crime, que normalmente decorre do sentimento de posse que o homem tem em relação à vítima. O feminicídio, que trouxe uma qualificadora ao crime de homicídio, é recente. Ainda precisamos evoluir muito para enfrentar esses números tão alarmantes.

A que sinais a mulher precisa ficar atenta em um relacionamento?

A gente considera o ciúme como uma demonstração que merece atenção, assim como o homem que desqualifica, humilha e controla os atos da mulher em público. Começa com pequenos gestos violentos, de beliscar e agredir fisicamente, além de isolar a mulher da própria família e dos amigos.

De que forma o poder público e a sociedade podem proteger as mulheres?

É um trabalho de toda a sociedade. A gente tem um papel, em nossa família, de não aceitar relacionamentos abusivos, e uma responsabilidade social: se a gente tiver conhecimento de pessoas que estejam passando por situações de violência, temos de fazer a denúncia.

 


 

 

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